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| Recolha - Maio 2009 |
Cepo, touco, troço, tarolo.
É assim que começam quase todos os bonsai de yamadori. Procura-se o melhor material, prepara-se e escava-se o melhor possível, planta-se num vaso e depois espera-se. Normalmente 2 anos (por vezes mais... raramente menos). E vem a pergunta: "Mas tem mesmo que ser 2 anos?". Eu diria que sim, por dois motivos. Primeiro, porque é o tempo da árvore se adaptar ao vaso, de criar novas raízes e nova rebentação. De ganhar a força necessária para continuar o seu caminho até ser um bonsai. São várias rebentações, fortes e estáveis. Mais do que um ou outro ramo verde aqui e ali, é preciso que a árvore volte a crescer "normalmente" e isso são, geralmente, os tais 2 anos. Esta explicação trás, normalmente, outra pergunta: "Mas se mexer antes, morre?". Não obrigatoriamente. Uma boa parte das vezes não. Mas é aqui, nesta pergunta, que está a grande questão. O mais importante não é se morre ou não... o que me leva ao segundo motivo que, embora menos abordado, é talvez para mim o mais importante. Este tempo de espera, serve principalmente para termos um pré-bonsai nas melhores condições e com todas as hipóteses de desenho em aberto. Mexer antes, é reduzir estes factores. Depois, podemos até decidir "cortar tudo" e recomeçar do zero, mas com uma árvore que vai responder bem e percebendo onde é que estão as zonas mais fortes e mais fracas do conjunto. Perceber este subtil argumento, é a diferença entre trabalhar com "bom material" ou andar sempre com o "coração nas mãos" a tentar recuperar árvores "combalidas";)
Pois bem, este pequeno tarolo de zambujeiro esteve um pouco mais de dois anos a recuperar. Foi o tempo de a árvore encontrar novas linhas de seiva e rebentar com vigor. Neste caso, era mais do que provável que algumas áreas secassem. Foi também o tempo para essas mesmas áreas "amadurecerem ao tempo". Já com a rebentação vigorosa e a lenificar bem, foi tempo dos primeiros trabalhos.
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| Pré-bonsai - Agosto 2011 |
Depois foi tempo de escolher a frente. Apesar de haverem várias hipóteses, a escolha recaiu naquela que dava uma imagem mas compacta e maciça da árvore. Nesta frente, as veias vivas percorrem a madeira quase no limite da sobrevivência, jogando com uru's e rachas naturais. Apesar de muito baixo e largo (altura: 18cm, nebari; 24cm) este pequeno zambujeiro consegue ter alguma dinâmica, subindo da direita para a esquerda onde lança, mais baixo e destacado, o sachieda.
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| Foto: Agosto 2011 |




