
Nota importante: Tinha aqui escrito anteriormente que a árvore portuguesa estava classificada no grupo da frente. Foi uma informação que me chegou, supostamente, vinda de uma pessoa da organização. Isto aconteceu durante a tarde de Sábado. Várias pessoas vieram-me dar os parabéns, entre elas um dos concorrentes que também tinha essa informação. Também tinha a informação que a Espanha era o terceiro lugar (para mim mais do que merecido) mas afinal foi o país organizador: A Suiça. Entretanto, apareceu num forum uma foto de uma folha de classificação afixada no Domingo que contradiz a informação que me tinha chegado. Francamente, não consigo explicar o porquê desta informação e quero acreditar que só pode ter sido um mal entendido. Para evitar confusões, decidi alterar este texto. Peço desculpa aos leitores deste espaço pelo ocorrido.
Fim de capitulo.
Faz agora 2 anos estava eu em Sintra a comprar um pequeno ulmeiro e a começar uma nova aventura que me levou, a uma velocidade estonteante, até ao palco europeu do Bonsai: a Convenção da EBA em Zurique. Daqui para a frente, apesar de ter o título até ao próximo congresso da FPB, o novo talento acabou. Não existem mais provas, não vou concorrer a mais nada.
Sobre a prova.
A tensão era alta. Muito alta. Por mais que que se tenha capacidade de abstracção era incontornavel. Lembro-me do meu colega do lado, ainda antes de começar, perguntar: "Estás nervoso?". Mestres a dar os últimos conselhos aos alunos, presidentes das federações a desejar boa sorte, máquinas fotográficas a disparar... enfim, a coisa era mesmo séria.
O nível era altíssimo. Para se ter uma ideia, o concorrente que ficou em terceiro lugar tinha árvores na exposição principal.
O material era de primeira. Juniperus Itoigawa de viveiro importados do Japão, todos muito idênticos. Não havia espaço para grandes "truques". Quase todos os concorrentes mostraram que conheciam bem as regras: descobrir o nebari, limpar a casca, não deixar jin´s mal acabados, marcar os shari's a fazer no futuro... a coisa passava por, primeiro tomar decisões, depois pelos pequenos pormenores. O relógio corria. De um lado ouvia "Corto ou não? não sei se é a decisão certa..." do outro, o concorrente tentava descomprimir entoando uns "Yop! Yop! Yop!". Mais fotos, mais gente... a certa altura, as decisões estavam tomadas e já não havia nada a fazer. Era tempo para os pormenores. De um lado ouvia "Já não consigo fazer nada de jeito com isto... só espero que acabe rápido..." e alguém que responde "Estás aqui... aproveita!".
Quanto a mim, senti que a coisa até estava a correr bem. Consegui manter a calma e concentrei-me para tomar as decisões. Foi nos pequenos pormenores que senti que podia ter feito melhor. Cobre... arame de cobre. Já tinha trabalhado algumas variedades de juniperus, mas nunca o Itoigawa. Por um lado é muito flexível, por outro é muito resistente. Na aramação média, tive que cortar e voltar a aramar mais grosso pelo menos 2 vezes. Na aramação fina, o arame de alumínio de 1mm não chegava e o tamanho a cima já era impraticável. De facto, o cobre permitia a firmeza na colocação dos leques de massa verde e a este nível a apresentação final fazia toda a diferença. Não serve de desculpa, mas serve de lição.
Sobre o evento.
Sendo a primeira experiência internacional foi, como é fácil de adivinhar, fantástico! Apesar de algumas criticas menos positivas que têm aparecido na net, a exposição estava de facto muito bem montada. Os exemplares, na grande maioria coníferas, eram excelentes e o formato absolutamente inovador. Mas, para mim, o mais marcante foi poder partilhar esses dias com figuras que só conhecia das revistas. A energia da "Scudra Azurra"... Enrrico Savini, Ivo Saporiti e seus pares, partilhar o banco do autocarro com o Thierry Font ou com o John Armitage, "Bom dia Sr. Walter Pall!"... Foi uma sensação única. Sentir-me parte, mesmo que por uns dias, da família do bonsai europeu. Fica o desejo e a intenção de repetir.
De volta a Lisboa e ao meu jardim, olhei para as minhas árvores e, ao contrário do famoso "vou pegar fogo a estes pauzinhos todos", disse: "Rapaziada, toca a crescer! Temos muito trabalho pela frente!"
Principio de capitulo.
P.S. - Um forte abraço para todos os amigos que mandaram mensagens, mails, sms's... Obrigado! Foi bom ler as vossas palavras. Um forte abraço também para os amigos portugueses que estiveram em Zurique. Foram bons momentos! Mandem-me lá as fotos da prova (jpires007@gmail.com) ;)
P.S.1 - Um "Parabéns!!!" reforçado (já que tive oportunidade de dar pessoalmente na gala) ao José Machado e ao pequeno Henrique Machado (que é o dono da árvore) pelo "Merit Award" atribuído pela EBA ao seu Zambujeiro.