Depois de quase um dia de viagem, aterrei no aeroporto de Narita, Tokyo. É hora de almoço e em Portugal está toda a gente a dormir. Durante as 12 horas que demora o voo tentei descansar o mais que consegui mas dormi pouco. Estou cansado mas sem sono. É o efeito do jat-leg. Ao início, é muito desconcertante, mas depois vamos convivendo melhor com a coisa (ao terceiro dia já consigo adormecer às 9h da noite para acordar entre as 2h e as 4h da manhã... lol).
À minha espera está Maki da Bonsai Network Japan, que me conduz entre estações de comboio e metro até ao TGV para Shizuoka. A confusão é total. Gente e mais gente. Apesar de haver algumas indicações em inglês, 95% das coisas estão escritas em Japonês. Os sinais, os cartazes, as embalagens. Mesmo fazendo um esforço, não se percebe nada. E depois, a maioria dos japoneses não fala inglês. São muito simpáticos e atenciosos mas em Japonês. Quando vou ao supermercado, por exemplo, o empregado da caixa mesmo sabendo que eu não percebo nada, continua simpaticamente a falar.
O TGV percorre montes e vales junto à costa. Lá fora, começa a chover. Fico preocupado porque só trago roupa de Verão. Não podia estar mais enganado. Quando saio do comboio percebo que está a chover, mas estão mais de 30ºC. Anda toda a gente à chuva de t-shirt e calções.
À minha espera na estação, está Jarek, um bonsaista profissional polaco a residir na Alemanha e Asanuma, o assistente de Urushibata.
Chego a Taisho-en já de noite. Urushibata San está à minha espera. Convida-me a sentar. “Now, introduction”. Faz-me uma série de perguntas. Porque é que estava ali, que idade tinha, quantos filhos e há quantos anos fazia bonsai. Respondo “Há dois”. Fica uns momentos em silêncio e volta a perguntar “Então podemos dizer que és um aprendiz?”, respondo que sim. Mais tarde Asanuma fez-me a mesma pergunta. Percebi que lhes fazia uma certa confusão uma pessoa com 2 anos de experiência vir para o outro lado do mundo para aprender bonsai. Depois, explico-me as minhas tarefas. No fim disse: “Podes me chamar Oyokata”. Que em japonês é o grau mais elevado. Está acima de mestre (Sensei). É o equivalente a “Pai”. No fim, pediu ao Jarek, que já vem a Tashio-en pela terceira vez, que me levasse ao apartamento e me ajudasse com o que fosse preciso. Acendeu a luz do jardim e saiu. Jarek levou-me lá para fora e disse:
“Welcome to Bonsai heaven!”






P.S. – Este primeiro post está a ser escrito 3 dias depois da minha chegada. Tive alguns problemas com o acesso à net que só agora estou a começar a conseguir resolver.


































