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21.8.10

Re_make

Alguns shimpaku depois daqueles que mostrei há uns posts atrás, passámos para outros já um bocadinho mais adiantados. O pedido de Oyokata, assim à partida, parecia simples: “Remake this tree”. O que quer dizer, tirar o arame, limpar veia viva e madeira morta, limpar massa verde, aramar e voltar a por tudo no lugar. Mas, ao contrario do que parecia, é bem mais complicado. É que Oyokata torna-se cada vez mais exigente. “Aqui limpas-te muito... aqui limpaste pouco... “ a diferença é quase mínima, mas faz toda a diferença. Depois, a gestão do tempo. Nunca se pode perder muito tempo, nestes casos, com os pormenores. Não vale a pena. Ainda não é altura. “Talvez para o ano, ou no outro, esta árvore se transforme numa árvore maravilhosa... até lá, não percas tanto tempo, só o essencial”. E depois o arame. É sempre a mais. Eu uso menos.. e é sempre a mais... Segundo Oyocata, “A arte da aramação no Bonsai, passa por conseguir usar o menos arame possível”. Por falar nisso:
Mito nº2: O arame no Japão nunca deixa marcas nas árvores. Ah deixa, deixa... e não é pouco. Na maioria das vezes já está a morder bem fundo. Retirá-lo sem fazer estragos é outra técnica que se aprende. Na verdade, quase todas as coníferas em Taisho-en estão sempre aramadas. E pelo que eu tenho aprendido não podia ser doutra forma, se não fosse assim não aguentavam a posição. E quando são desaramadas, normalmente, é para serem aramadas de novo. Re-make.
Aqui ficam alguns exemplos:





A maior lição destes dias foi: Não estejas sempre a tentar fazer uma árvore final. Há sempre uma nova frente, há sempre uma nova posição. No tempo certo, isso vai acabar por acontecer. Se não, estás a perder tempo precioso. O teu e o da árvore.

19.8.10

Big Trees

Já parou de chover há uns dias. Agora o sol ficou mais forte e por isso a rega é ainda mais importante. Normalmente, como é “só quando as ávores precisam”, é feita a meio da manhã, ao principio da tarde e depois, uma última vez, de forma muito ligeira e só nas folhas, ao fim do dia.
A luz tornou-se mais intensa. Mais brilhante. É impossível fotografar depois das 8h da manhã. O obturador da máquina parece que “entra em parafuso”. Existem até uma espécie de pala/mascara que os japoneses usam muito para filtra a luz. O próprio calor é mais forte. Oyokata está constantemente a oferecer-nos gelados. “I hate summer” diz ele em tom de brincadeira. É preciso estar constantemente a beber água... a desidratação pode acontecer. É mesmo muito mais cansativo. Por isso, por estes dias, tem sido mais difícil arranjar a vontade para escrever. É que mesmo com o calor, o trabalho intenso não pára.
Por estes dias, continuo de volta dos shimpaku. Outro e mais outro... mas isso é matéria para outro capitulo. É que ainda não consegui tirar fotos do “depois”. Oyokata, apesar de autorizar, já percebi que não acha muita piada às fotos durante as horas de trabalho. Nas horas de trabalho, é para trabalhar. E eu tento respeitar a vontade dele.
Por tudo isto, este blog tem estado, há uns dias, meio de férias. Entretanto, andei para aqui a rever as fotos que já tinha tirado, há procura de alguma coisa... Depois o Márcio falou de uma certa árvore... e depois o Pedro disse “É aquela que está ao fundo na última foto do primeiro post”... bom, estava a guardar mais para a frente, mas vá, vamos então falar disso.
Em Taisho-en, existe uma zona, quem passa a entrada seguindo até ao workshop, do lado direito que Oyokata chama de “Big tree área”. São talvez umas 10 bancadas de árvores. De Shuhin para cima. No fundo, ao lado do workshop de Taiga (filho de Oyocata) está essa árvore. Foi uma das primeiras que procurei no primeiro dia de manhã. “É esta... “. Como diz o Pedro, é muito grande. Mesmo. Terá pelo menos 1 metro. Aqui há um ano atrás, tivemos um belo debate sobre esta árvore. O jin está a mais... talvez mais curto... a madeira morta é um exagero... enfim, o problema, é que estávamos a falar com base numa foto com pelo menos 2 ou 3 anos. A árvore ainda estava a começar a ser feita. Tudo parecia muito exagerado. Agora, ainda não está pronta, mas vejam a diferença. A massa verde, para além de ter agora mais presença, está a começar a chegar mais perto do ten-jin.

Estou aqui a olhar para ela e digo: Não corta nada! Esta árvore é única.
(entretanto este prunus que está na bancada da frente também não é nada mau....lol)

Depois, mais algumas imagens de outros shimpaku (vamos por “famílias” que é mais fácil) que se podem encontrar nesta zona. É muito difícil de fotografar aqui. O espaço entre bancadas não chega. Quando não estão sobre bases giratórias é quase impossível.









16.8.10

Drifting Wood

Madeira morta. É o termo que costumamos utilizar. Mas na verdade, madeira flutuante seria mais correcto. Em Taisho-en, a madeira flutuante existe, principalmente nos juniperus. Há alguns pinheiros e prunus, mas essa característica é típica dos juniperus.
Por estes dias, para além da rega e da adubação, continuamos de volta dos shimpaku. Asanuma até brinca... “Shimpaku factory”... e é a gargalhada geral ;). Pois bem, para não ser aborrecido com os leitores deste espaço, não vou continuar a mostrar mais fotos de Itoigawa transformados. Por isso, o capitulo de hoje, é dedicado à madeira flutuante. Drifting wood.
Mito nº1: No Japão só se trabalha a madeira com goivas... nem por isso. Na verdade, trabalha-se com o que der o melhor resultado. Já experimentei umas goivas Masakuni fantásticas, mas também já fiz o trabalho com máquina. Depende... como diz Oyakata, o mais importante é deixar a madeira limpa. Por vezes é puxada manualmente pelos veios, mas na maioria das vezes è simplesmente limpa da casca. Isto quando não se trata de Yamadori com madeira flutuante original. Depois, vai amadurecer no tempo. E depois, é trabalhada sob pressão. O mais normal é jacto de areia, mas também pode ser de água. Varia de caso para caso.

Exemplo da madeira depois de limpa com jacto de areia

Aqui ficam algumas imagens da “Drifting wood” de Taisho-en.








15.8.10

Shimpaku Summer Styling

Aqui no Japão, por estes dias, há uma espécie de feriado nacional. Por isso, como já tinha escrito no post anterior, Oyokata não esteve. Por um lado foi bom, deu-me oportunidade de acalmar ligeiramente o ritmo. Pelo menos, já consegui acertar o jat-leg.... lol. Como ficamos poucos em Taisho-en, a rega ocupou uma boa parte dos dias. Mesmo quando não é preciso regar, é necessário estar sempre a confirmar. São muitas árvores e está muito calor.
Antes de se ausentar, Oyokata deixou-me dois shimpaku (juniperus Itoigawa) para trabalhar. Desaramar, limpar, abrir sharis, voltar a aramar e estilizar. O Jarek ficou encarregue de me orientar no trabalho. Explicou-me a aramação “Taisho-en way”. Não há cá truques. Nada de ganchinhos e coisas do género. Para além do arame não se poder sobrepor, todo tem de fluir pelos ramos. E usar o menos possível. Arame de cobre claro (que saudades que eu já tinha!). Como tinha mais algum tempo, fiz a parte da madeira morta à mão e com mais detalhe.
Aqui fica o resultado:
Shimpaku - antes

Shimpaku - depois

Shimpaku - antes

Shimpaku - depois


Hoje de manhã, Oyocata voltou. Logo pela primeira hora, disse-me para ir buscar as árvores. Olhou, voltou a olhar, alterou uma ponta ou outra e depois pediu-me para ir buscar mais. Trouxe uma e ele riu-se. “Porque é que só trouxeste uma? Mais!” Pronto, voltámos à correria...
Estas são árvores ainda a “meio caminho” de ser bonsai. Por isso o trabalho é ligeiramente diferente. Oyokata foi-me explicando que a imagem pretendida é, como na natureza, de uma árvore de montanha. Com um movimento que desafia a gravidade. “No ground tree”. Não é uma árvore que cresce calmamente na terra. A forma, mesmo sendo Moyogui, deve quase atirar para o han-kengai. Pegou numa caneta e exemplificou duas possibilidades para a árvore que estavamos a trabalhar.

Corta assim, abre o shari desta forma, nesta não se mexe corta só o arame... enfim, foi uma bela manhã de verão de volta dos shimpaku... um atrás do outro.


14.8.10

The Backyard

Oyokata vai estar fora uns dias. Deixou-me várias tarefas e entre elas, a rega. A parte de que fiquei responsável é a zona superior de Taisho-en. Aquela a que os clientes não têm acesso. Visto assim à primeira, podia até ficar com uma certa pena... as árvores melhores estão cá em baixo. Por outro lado, passo por elas várias vezes por dia e por isso, fiquei contente com a parte que me calhou. Cada rega, demora pelo menos uma hora e meia. Estamos a falar, pelas minhas contas, mais coisa menos coisa, de pelo menos 3000 árvores. Claro que não são todas grandes... essas estão cá em baixo.
A zona superior de Taisho-en, é quase como um laboratório. Este é que é o verdadeiro viveiro. Aqui, podemos ver as experiências, as várias etapas de cada espécie, enfim... é aqui que tudo acontece até uma árvore começar a poder chamar-se Bonsai. Oyokata passa aqui muito tempo, principalmente durante a tarde quando faz mais calor. Ele parece ter um carinho especial por este espaço.
Bom, deixo algumas imagens que exemplificam o que se pode encontrar nesta área. E agora tenho que ir... como já parou de chover, espera-me mais uma hora e meia de “Backyard”.

Uma das bancadas das gardénias

Enxertos num juniperus

Uma base de tridente de onde são tiradas estacas

Pormenor de uma dobragem

Enxerto de raizes num pinheiro

A bancado dos shimpaku

Um acer palmatum que começa a ser formado

O famoso Maru, guardião da entrada da zona superior de Taisho-en

13.8.10

Rain Showers

Ás vezes, apesar dos dias serem de Verão, o céu enche-se de nuvens, e começa a chover. Mas há um tipo de aguaceiro mais especial. É uma chuva fina e suave que cai durante uns 15 minutos. Quando isto acontece, Oyokata parece ficar muito bem disposto. “Good for trees” diz todo contente.

O segundo dia foi uma continuação do primeiro. Começamos com um Eleagnus, desta vez maior, talvez 50cm de altura. Por esta altura, os Eleagnus são defoliados pela metade. No dia anterior já tinha feito o mesmo a dois mais pequenos. Oyokata explicou-me quais a folhas a tirar com a tesoura e eu lá fui fazendo o trabalho. A certa altura havia uma folha que não estava a dar jeito e eu arranquei-a puxando. Ele ouviu e levantou os olhos. OK, nada de puxar... já percebi... tesoura. No segundo dia quando fomos buscar esta árvore maior ele disse-me para fazer a mesma coisa, mas que desta vez podia puxar “Pull leaves”. E é aqui que a história ficou engraçada. Tudo por culpa da minha professora primária. Naquele tempo, no colégio onde eu andava, não era muito bonito as crianças escreverem com a mão esquerda. Por isso fui corrigido para escrever com a direita, como faço hoje, mas há coisas que consigo fazer bem com a esquerda. É uma coisa estranha e eu nunca sei exactamente quais são essas coisas. Arrancar folhas é uma dessas coisas. Oyocata passou, ouviu o som e sorriu. Sentou-se do outro lado da árvore e começou a arranca folhas, mas só com uma mão. Estava-se quase a rir. Parece ter achado piada a este meu defeito. Pela primeira vez, senti-o mais descontraído. Parecendo que não, fui um alivio.

De seguida, fomos buscar uma Zelcova Okidachi (estilo vassoura). No Japão são muito famosas, mas aqui em Taisho-en não há muitas. Na verdade, até agora, só vi esta. Explicou-me que a árvore estava a perder a forma e por isso era preciso corrigir. A ramificação fina inferior, tinha crescido mais à procura da luz, o que tornava o conjunto demasiado horizontal. Ajudei-o a fazer a poda. Não foi bem uma “Kamikaze” mas foi quase... lol .

Depois, mais um kurumatsu. Poda de novos rebentos, mas bastante diferente da do dia anterior. Explicou-me que queria compactar mais a árvore e por isso tínhamos que tirar força em determinados pontos. “Compactar mais a árvore?...” pensei. Vejam a foto e vão perceber a minha dúvida. De facto o nível de exigência estética aqui é muito elevado.

Kurumatsu - antes

Kurumatsu - Depois

Já no final da manhã, Oyocata chamou-me e disse para trazer também o Jarek. “Bring this Thojo”. Os Thojo (Juniperus rígida) são muito apreciados no Japão. Aqui em Taisho-en existem bastantes, mas há 7 ou 8 bastante grandes. Este era um deles, media talvez uns 80cm. Disse que o puséssemos no meu lugar. “Same Job”. E foi-se embora... “Mas same Job como? O que estivemos a fazer não tem nada que ver com isto. OK, já percebi que é para podar... mas este é diferente do resto...”. Tentei reunir tudo o que tinha aprendido anteriormente e atirei-me ao trabalho. Fiz o primeiro patamar e mostrei-lhe. Ele olhou e acenou com a cabeça para continuar. Passei a tarde toda de volta deste “bicho”. A certa altura, entrou um cliente e dirigiu-se ao meu lugar. Enquanto falava batia nos braços e nas mãos e ria-se muito. Pois, percebi bem o que ele estava a querer dizer... Pica! E não é pouco. São, como diz o Jarek, 4 horinha de acumpuntura, coisa pouca... lol.
No fim do dia, Oyokata veio verificar o trabalho final. “Put back”.

Thojo - exemplo do antes (outra árvore)

Thojo - depois

Fiquei muito contente com estes 2 primeiros dias. Percebi, que o mais importante não era aquilo que já sabia ou a experiência que já trazia. Isso é relativo e é ajustado a cada um. O mais importante é a entrega, é não ter medo de tentar fazer coisas novas e de forma diferente. É, mesmo que os desafios aumentem não desistir.
Bem sei que haverão dias piores e estou preparado para eles. Mas estes dois primeiros dias, para mim, foram “rain shower days” ;)

12.8.10

Bonsai. The Samurai way

Nota importante: Tudo o que vou descrever e mostrar a partir daqui, não deve ser aplicado directamente noutras situações. O Japão é um país com um clima muito especifico. Agora no Verão, por exemplo, estão temperaturas muito altas mas continua a chover. Os níveis de humidade são muito altos. Já no inverno faz bastante frio. Em muitas zonas chega a nevar. As épocas de crescimento não têm nada que ver com as nossas. Por outro lado, estamos a falar de árvores treinadas em vaso à muitos anos, na maioria dos casos décadas. Podemos dizer que as árvores de Taisho-en são verdadeiros “atletas de alta competição”.
Para exemplificar melhor, os pinheiros a que foi feito o meikiri em Junho, já voltaram a rebentar, as velas já abriram e já estão a começar a ser trabalhados novamente. Dito isto, vamos então à história ;)

O primeiro dia foi fantástico mas muito cansativo. Logo pela manhã começo com as minhas tarefas. Em Taisho-en, o “mais novo” tem a seu cargo as coisas mais básicas. Limpar as ervas daninhas, varrer as passagens, preparar o carrinho do chá ou varrer o workshop. Antes de começar o trabalho, tudo tem que estar limpo.
Como choveu na noite anterior, não há rega. Por isso, vou para o meu lugar. No workshop, trabalho ao lado de Oyacata. Ele, de forma discreta, está sempre com atenção ao que estou a fazer. Mas uma boa parte do tempo o lugar dele está vazio. Apesar da idade, Oyacata é muito “irrequieto”. Não pára um minuto, sempre de um lado para o outro e eu, como “mais novo” tenho que o ajudar em tudo o que é preciso. Por isso, esteja o que estiver a fazer, sempre que ele me chama, paro tudo e vou ajudar. Transportar uma árvore maior para ele trabalhar, apanhar os restos da poda da bancada das gardénias... enfim, Já á muito tempo que não ouvia o meu nome repetido tantas vezes no mesmo dia. “Johao”... “Hai Oyacata” ... lá vou eu outra vez.
Percebi, até pela conversa de Asanuma, que Oyakata ficou intrigado com a história dos “2 anos de bosai” que contei no post anterior. Por isso, nos primeiros dois dias, jogámos uma espécie de jogo, quase um “Quem quer ser milionário” mas em bonsai. A cada desafio superado, passamos para o nível seguinte.

Para começar, quando já estava à espera das famosas gardénias, ele aparece com 3 pequenos Sugui. Não sei o nome em latim nem em inglês porque esta espécie só existe aqui. Parecem juniperus procumbens mas não são sequer juniperus. Parecem ser da família das coníferas mas não tenho a certeza.
Oyokata explica-me como devo fazer a poda, qual o objectivo e qual deve ser a relação entre patamares, ao mesmo tempo exemplifica. Tudo isto é muito rápido. Depois levanta-se e sai. Ao início é estranho, mas já me fui habituando. Oyokata aparece e desaparece constantemente. Nunca sabemos bem onde ele está.
Faço as podas tentando encurtar os rebentos novos, limpar os secos e dar a forma. Quando ele volta pergunta “Done?”. Eu respondo que sim, ele observa as árvores e diz “Shape!”. E aqui veio o primeiro choque. Oyokata pega na tesoura e reduz 1/3 da massa verde. Já percebi o que é que o Alberto queria dizer com “poda kamikaze”...lol. Tento fazer a mesma coisa nas outras duas. Confesso que não estava nada preparado para este tipo de abordagem.

Sugui - Shohin

Dois aleagnus depois (esta história fica para o próximo capitulo que tem mais graça), Oyocata volta com outro sugui um bocadinho maior já com uma pequena “fatia” podada de alto a baixo. “Same Job”. Já mentalizado com este tipo de poda, termino a árvore. Oyokata volta dá uns pequenos toques no trabalho e diz “Hum... Agora, vai buscar o terceiro pinheiro daquela prateleira”. Prova superada ;).

Sugui - Shohin (no limite máx. de 22cm)
Aleagnus - Shohin. Exemplo do antes

Aleagnus - Shohin. Depois

A tarde foi passada com pinheiros. Primeiro, um belo pinheiro negro já a atirar para o grande (60cm). Oyocata explico-me como se fazia a poda de selecção da nova rebentação para preparar o ano que vem. Esta é uma árvore já formada e com muitos rebentos novos, por isso e para fazer bem feito, levei quase duas horas a cortar. Ramo a ramo, patamar a patamar. No fim, Oyocata cortou algumas “pontas” que não queria no desenho e disse “Put back” que quer dizer que está OK e podes voltar a por no lugar.

Como sempre li que os pinheiros negros são os últimos em que os novos alunos mexem, estava na duvida e perguntei “Este é um Akamatsu? (pinheiro vermelho)”... “Não este é um Kurumatso (pinheiro negro). Vem comigo”. Sigo-o pelo meio das prateleiras. “Traz este”. OK, este é que é um Akamatsu, percebo. “Same Job”. Começo a trabalhar e percebo que não tem nada a ver com o pinheiro anterior. Os rebentos são muito mais e amontoados em tufos. Oyakata diz-me para deixar só 2 ou três por conjunto. Percebo que a árvore vai ficar um bocado careca, mas pronto, vamos embora! Já no fim do dia Oyokata, ao passar de saída, olha para o trabalho final e não diz nada. Volto para o apartamento sem saber se estava bem feito ou não... Na manhã seguinte veio o veredicto. “Put back”.